Música+blefes+auto-promoção

Till when?

Posted by: andreia on: January 12, 2009

“Você não vai acreditar. Sonhei que estava na Faixa de Gaza”. Me lembro como se fosse hoje: 1991, todos reunidos na sala de casa, na pacata rua Antônio Martinez, nosso segundo endereço em Ribeirão Preto. Na TV, começava para todo o mundo a Guerra do Golfo. Lembro de ver umas imagens em verde, muito barulho, explosão e o William Bonner mostrando, em uma das poucas vezes, que sabe fazer mais do que uma expressão.

Agora é a vez da minha irmã, de 17 anos, ver a guerra e a intolerância explícitas na TV, na internet, no rádio, nas revistas… ele está em todo o lugar. E eu que achei que com o tempo os homens tornariam-se mais civilizados. Vejo reuniões na ONU, tanta gente reunida, sendo que há sempre um país a dizer ‘não’, o que compromete qualquer tentativa de paz.  Ao ouvir a primeira frase deste texto, dita por ela, ri, mas depois a ficha caiu. Não sei se pelo fato de que imediatamente imaginei o que seria ter alguém conhecido por lá ou porque achei que ela veria um mundo menos violento. Ledo engano.

Pela idade, quase 10 anos, me lembro de achar a transmissão da guerra um absurdo, mas não me lembro se aquilo mexeu demais comigo. Fora da sala, no meu outro universo brincando com os amigos, na rua, nas várias aulas em que minha mãe me matriculava, essa realidade mostrada pela TV desaparecia. Só voltava a pensar nela na hora do Jornal Nacional – programa que com o tempo passei a não fazer questão de ver.

Mas o que acontece é que, desde o final do ano, a guerra entre Israel e o Hamas não deixa nem os mais desligados em paz. Pelo menos para mim, a sensação é de peso. Tomar um lado? Isso eu nem cogito, pois acho que a intolerância entre ambos chegou a um ponto que já não existe o lado certo nem o lado errado, o que há são motivos e dependendo do ponto de vista, a gente vai achar motivos para ficar contra ou a favor dos dois.

A Guerra do Golfo anunciou um novo momento na história da mídia, marcado pelo impacto das novas tecnologias de comunicação de massa – instalação de redes planetárias ligadas por satélite, técnicas de digitalização de imagens, sistemas informatizados de transmissão de dados. Era um verdadeiro espetáculo, comandado pela CNN, com seu repórter no campo de guerra (Peter Arnett, o Cara). Mas o que realmente esperava-se da gente, que assistia aquilo como se fosse uma novela das 8?

Agora, o novo capítulo desta guerra sem fim está tirando o sono da minha irmã. Então, vamos lá Sarkozy, Lula, Obama, Egito use o seu crédito com Israel e alguém, por favor, mande o Hamas para um retiro espiritual para colaborar com a  nossa pseudo tranquilidade – morando em SP não dá para ser 100% tranquilo, independente do trema.

O que me consola é que o mais perto que minha irmã chegou do terror de Gaza foi encarar as duas etapas da Fuvest, que convenhamos, é uma forma branca de terrorismo.

Infeliz de nós, paroxítonas com ditongos abertos

Posted by: andreia on: January 1, 2009

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1º de janeiro de 2009. A partir de hoje, a língua portuguesa vai ficar mais complexa do que já é, para alguns. A tal reforma ortográfica que vai unificar o português passa a valer, provocando mudanças em tudo aquilo que aprendemos até hoje.

Por exemplo, você, professora ou mãe, que perdeu tempo explicando para o seu filho porque pára e para são diferentes, verá a sua explicação desmoralizada com o fim do acento indicando o verbo parar. Para ou para, agora dá na mesma. 

Por exemplo, quando disserem: “Trânsito para São Paulo”. Pense. Alguém terá que salvar a ambiguidade perguntando: “morfologicamente falando, o que você quer dizer?”. Prepare-se para fazer essa pergunta muitas vezes.

Imagine que nossa tranqüilidade não será mais a mesma sem o ‘trema’. Vocês, anti-sociais, serão antissociais… muita letra misturada para tanta antisociabilidade.

Mas entre as alterações - além do desuso do trema, item que nunca fez a mínima diferença para a minha pessoa, a inclusão das letras Z, W, e Y no alfabeto e o fim do hífen em alguns casos  - está uma que interfere na minha vida: a primeira nova regra da acentuação da língua portuguesa tira o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas. Ou seja, meu nome perderá o acento.

Acho isso um ultraje. Primeiro que no meu caso, passei a vida toda alertando as pessoas de que meu nome se escreve com ’i’ e tem acento. Agora, passarei o resto da minha vida explicando porque ele não tem mais acento. E claro, a eterna saga do Andréia com ou sem ‘i’ continuará.

Fato é que essa mudança é tão desnecessária quanto o Ministério da Pesca. Aliás, por falar em ministério, o da Infra-Estrutura terá que mudar a sua plaquinha já que pelas novas normas, esse hífen não existirá. Mas no caso do Brasil, essas mudança, prevista para estar completa até 2012, você sabe, pode nunca sair do papel com o nosso jeitinho.

Agora, quero ver as marcas de sopas de letrinhas se atualizarem e incluírem o W, Y e K no meio das outras 23 letras. As crianças vão achar que foi defeito da fábrica, mas não não, é apenas a reforma ortográfica.

Europeia, ideia, heroico, apoio, boia, asteroide, Coreia, estreia, joia, plateia, paranoia, jiboia, assembleia… andreia… todas essas palavras perderão o seu acento. No caso de papéis, o acento continua já que a sílaba mais forte é a última.

Fiquei sabendo que no caso de nomes e sobrenomes com Müller, o trema será mantido.. Claro, não é um nome brasileiro. Ei, mas e quanto a mim!? Infeliz de nós, paroxítonas com ditongos abertos.

About Bruno…

Posted by: andreia on: January 1, 2009

livroO último livro de 2008 chegou às minhas mãos meio que por acaso. Há tempos estava a fim de ler “O menino do pijama listrado”. Acabei dando de presente para uma amiga e dias depois, achei-o na prateleira de livros da minha irmã.

Não fazia idéia de como era a história. No ano passado tinha lido “A Menina que Roubava Livros” e achei a história de Liesel incrível. Além de uma narrativa diferente e bem construída, a vida da garota Liesel passa por transformações às quais poucos de nós sobreviveríamos. Mas ela tinha a força de uma criança. E com isso não se brinca…

Bruno, o garoto do livro ‘listrado’, não tem a mesma força. No caso dele, acho que é melhor dizer que ele tinha a ingenuidade de uma criança. Ele não percebe o que acontece à sua volta, ao contrário de Liesel, que compreende todo o horror.

Bruno é um garoto incrível, criado numa família cujo pai trabalha para o Fúria, a mãe tolera uma vida imposta, já que tem que acompanhar o marido, e a irmã de Bruno, é a típica irmã mais velha, “um caso perdido”, como ele mesmo a descreve.

Mas no meio disso tudo, uma mudança transforma a vida de Bruno, com a ajuda de outro garoto, com os mesmos 9 anos e nascido no mesmo dia em que Bruno: Shmuel.

A partir daí nasce uma amizade que ajuda Bruno a suportar todas as suas novas descobertas. Boyne correu o risco de escrever um livro bobo, comum, perdido no meio de tantas histórias que trazem o Holocausto de pano de fundo. Mas construiu uma história simples, verdadeira, na qual mostra que é preciso muito mais que uma cerca para dividir dois mundos. Infeliz de quem não acreditar nisso, independente do preço que a gente pague.

And the winners are…

Posted by: andreia on: December 13, 2008

lapis

Pegando embalo no bolo que levei do médico no início da semana- ou há dois posts -, fiz meu top 10 “Frases que eu odeio ouvir em qualquer hora do dia”.  Acho que nós, brasileiros, deveríamos ser bonificados a cada vez que uma frase dessa nos fosse dita. Já pensou abater do IR o seu gasto - moral e financeiro, com  as ligações – nessas situações ao longo de um ano?

Vamos às vencedoras:

1)  Seu saldo é insuficiente para esta ligação – sempre quando você mais precisa falar já reparou?

2)  O sistema está fora do ar por tempo indeterminado – como é que a gente faz pra falar com esse tal sistema hein?

3)  A adm expirou – como isso acontecia no Virgula.

4)  É logo ali – repare, nunca é logo ali.

5)  Desculpe, nós já fechamos – quando você chega às 16h01 no banco e o guarda não tem piedade.

6)  Operação indisponível no momento tente mais tarde – nesse tipo de situação, se a gente vai resolver alo naquela hora é por que não vai dar para resolver mais tarde, oras.

7)  O número chamado encontra-se indisponível no momento – ou seja, o número e o dono do número.

8)  No momento todos os nossos atendentes estão ocupados, logo estaremos redirecionando a sua ligação - nessa hora você aprende que redirecionar é sinônimo de cair a linha.

9) Nosso tempo de espera é de 3 minutos – frase que sempre vem na sequência da nº8… cronometre e sinta o drama de ser esquecido na linha…

10) Reprovado – palavra que aparece no visor da maquininha do Visa quando, devido a um final de semana de gastos a mais, eles bloqueiam o seu cartão de crédito por segurança.

Saved as… G.E.F.

Posted by: andreia on: December 10, 2008

Depois de três chamadas não atendidas, eu desencanei. Três dias depois, eu atendo.

 m. – Oi.

a. – Oi. E aí, tudo bem?

- Tudo. Desculpa ter ligado só agora…

- … mas você está numa correria só…?

- Não…  deixei o celular aqui.

- Hum… era só para dar um oi, como de costume.

- Ah… só?

- Na verdade não. Eu acho tudo isso muito engraçado. Por que a gente nunca fala da ‘gente’? Você não acha isso engraçado?! Tipo… eu não falo mas penso.

- (rs) O que você pensa?

- Sei lá… algo do tipo, o que a gente vai ser quando crescer…rs?

- A gente…rs… e acho isso bom.

(… pausa dramática… de ambos os lados)

- É. Gostei da resposta. Aliás, você tem respostas boas, pena que algumas demoram pra sair… Viu o episódio que te falei do Grey’s Anatomy?

- Vi. Baixei.

- Eu sou o Derek e você a Meredith. Ele não quer só 48 horas. Ele quer uma vida toda pela frente (rs).

- E ela diz que não está pronta agora, mas vai estar. E ele diz que vai esperar.

- Sim. Afinal, ele já passou por mais coisa que ela. Mas…

- Hã?!

- E se durante essa espera ele conhecer alguém que lhe dê o que ele espera da Meredith… ?

- E se?

- Ele não sabe.

- E você?

- Não sei. Bom, preciso desligar.

- Tá. Ah, que história é aquela de que eu tenho um formato, apelido?

- Ah…rs disse que você é minha G.E.F. .

- E o que isso significa (rs)?

- Garot… hum… fica pra outro dia…. Até.

-  (—-) Ok então. Tchau.

My four… cistos.

Posted by: andreia on: December 10, 2008

“Houve uma falha no sistema e não sabemos quanto tempo vai demorar para voltar”. Sempre que eu ouço essa frase, e olha que eu ouço com frequência, não sei para quem olho e reclamo. Sei que xingo metade do mundo, mas tenho a sensação de que a pessoa encarregada de ouvir esta reclamação não me ouve.

Como se já não bastasse ter que pegar o metrô rumo a Sé às 8 horas, cheguei ao consultório onde faria meu exame admissional e lá fiquei, do mesmo modo, pelos 100 minutos seguintes. Achei que estavam brincando com a minha pessoa. Não, não estavam. Culpa do sistema. Mesmo preenchendo tudo à mão, sem o sistema nada anda. A minha impressão é que desde que o computador chegou, trabalha-se cada vez menos. Enfim, nada podia ser feito a não ser “aguardar um momento”.

Vou contar, aguardei tanto o tal momento que ficarei 2009 inteiro sem me deparar com ele. Quer dizer, isso se a NET cooperar… Enfim, hora de encontrar o médico. E ele começou mal, me chamando de Andréia Silva. Primeiro, é ‘da Silva’. Segundo, ele gritou para o resto da sala… isso me constrange, sempre. E depois, eu prefiro o meu segundo sobrenome.

Bom, depois de alguns minutos, ele pergunta por que eu marquei o item ‘cirurgias’. Olho e vejo que na verdade marquei o quadrado acima, mas como ele não fala português e invocou com o tópico ‘cirurgias’, respondi a pergunta.

- Ah, cirurgia? Bom, tirei os quatro cisos.

- Você já tirou quatro cistos?, diz ele com voz de espanto, e um sotaque que eu não sei de onde.

- Não, não… ci-sos.

- Cistos!

- NÃO… CI-SOS. Den-tes… Os quatro!

- Ah bom. Os cisos, claro.

- De resto tudo certinho?

- Sim, que eu saiba.

- Ok. Liberada.

Agora, se eu não souber de algum problema, a culpa ainda vai ser minha.

Bye bye mr. Lennon…

Posted by: andreia on: December 8, 2008

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Como em todo final de ano todos dizem “Feliz Natal”e “Feliz Ano Novo”. Programas especiais, reportagens, enfim, tudo é feito de modo a enfatizar que mais um ano acaba e é sempre hora de recomeçar um novo ano – óbvio -, cheio de paz e prosperidade. Afinal, não é por isso que todos se vestem de branco?

E é nessas comemorações ou menções à paz que John Lennon sempre aparece. Músicas como “Imagine”, “Give Peace a Chance” e “Happy Xmas (War Is Over)” estão sempre aí, devido à sua intensidade lírica e crítica.

Hoje, 8 de dezembro de 2008, completam-se 28 anos da morte de Lennon, que foi assassinado em Nova York, em frente ao edifício Dakota, onde morava com Yoko Ono, no Central Park. O autor dos tiros todos conhecem: o fã Mark Chapman, que horas antes havia encontrado Lennon e lhe pedido um autografo.

Nunca fui louca por Beatles, gosto menos do que deveria, mas não costumo afirmar isso em público. Na verdade, hoje, cada vez mais gosto de dizer isso em público.

Mais do que a música, me chama atenção a relação de Lennon com Yoko Ono. Algo que parecia eterno, “meant to be”, doentio até. Hoje não acredito que ela tenha sido o motivo da dissolução do grupo (acho que o ego do sir. Paul poderia se responsabilizar por isso). Aliás, repare no nosso casalzinho 20, Mallu e Camelo, nossa Yoko e nosso Lennon…não?

Fora isso, os Beatles se envolveram em vários casos típicos das bandas de rock: o duelo de egos entre os vocalista/guitarristas/letristas Lennon e McCartney; a perseguição quanto às drogas, como o álbum Lucy in the Sky With Diamonds, que alguns cismaram ser referência à droga LSD; Yoko Ono vista como a mulher que separou a banda; Ringo Star querendo sair por se achar menos importante (o que mobilizou a banda a implorar para que ele ficasse), entre tantos outros…

Meus pais não me mostraram nenhum disco dos Beatles e até hoje eu nunca comprei um. Gravei de um colega para não ser vista como ‘aquela que diz amar música mas não tem um cd dos Beatles em casa’. No meu violão, apenas ‘Yesterday’ e ‘Help!’. As minhas preferidas? ‘Come Together’ e ‘Mother’.

Acredito que se tivesse vivido na era da beatlemania, certamente seria hoje uma tiete assumida. Mas não vivi a época, a febre. Apenas a parte da história que mostra a influência dos quatro garotos de Liverpool na música de ontem, de hoje e de amanhã. E eu particularmente gosto mais do que as outras bandas fizeram com o rock. E até Ringo já cansou de ser Beatle e de tudo isso.

Uma chatice, parece que tudo tem que ter Beatles e todos querem ser Lennon e McCartney. Eu quero ser David Bowie.

Woody rocks, Allen rules

Posted by: andreia on: December 1, 2008

woody

Sabe, Woody Allen entrou na minha vida por acaso. Foi em uma sessão da tarde, para ser mais exata, numa época em que a seleção de filmes escolhidos para divertir a tarde dos desocupados era boa. O filme em questão era “Cenas em um shopping” ou “Scenes from a Mall”, de 1991. Não consegui me desligar vendo aquele casal neurótico, os Fifer – Allen, que apenas atua e até o filme nunca tinha entrado em um shopping, faz par com ninguém menos que Bette Midler no filme – brigando ao descobrirem as traições um do outro, depois de 16 anos juntos.

Depois assisti a “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, “Hannah e suas Irmãs”, “Manhattan”, “Crimes e Pecados”, e por aí foram filmes e mais filmes (mais de 50 dos quais, claro, como vivi apenas metade disso, ainda não vi todos).

Por que gosto de Woody? Além dos diálogos frenéticos, personagens neuróticos (em algum nível todos são), saídas inesperadas para relações perdidas à primeira vista, reviravoltas e o fato dele ser sagitariano (1/12) e ser uma das pessoas que mais tira sarro de si mesma. Gosto disso. Ah, e também por causa disso:

*uma das melhores cenas: ‘Annie Hall’, Woddy é Alvy Singer e fica enlouquecido com a opinião do cidadão atrás dele na fila sobre um filme… de tão irritado, ele sai – literalmente – de cena…:

Eu realmente queria que ele fosse meu avô. Eis algumas frases de Allen Stewart Konigsberg – Woddy é um apelido carinhoso, digamos assim… – que você, gostando ou não dos filmes, vai concordar comigo, são muito boas:

*Não é que eu tenha medo de morrer. É que eu não quero estar lá na hora que isso acontecer

*Se Deus existe, por que Ele não me dá um sinal de Sua existência? Como por exemplo, abrir uma bela conta em meu nome num banco suíço?

*O mundo divide-se em pessoas boas e pessoas más. As pessoas boas têm um sono tranquilo. As pessoas más divertem-se muito mais

*É muito difícil fazer sua cabeça e seu coração trabalharem juntos. No meu caso, eles não são nem amigos

*Quer fazer Deus rir? Então conte seus planos a Ele…

*Por que Deus não fala comigo? Se Ele pelo menos tossisse!

*A realidade é dura, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bife.

Movies…Gondry, Patti e Titãs

Posted by: andreia on: November 21, 2008

Mais uma vez acompanhar a mostra internacional de cinema em São Paulo não foi tarefa fácil – sim, a mostra rolou em outubro e quase um mês depois, eis um post. Da enxurrada de filmes – centenas será? – consegui assistir a modestos 4 longas. Mas que filmes (o último foi o novo de Woody Allen, que merecerá um post especial no aniversário dele, em breve).

O primeiro foi “Rebobine por favor”, de um dos meus diretores preferidos, Michel Gondry (é o cara que dirigiu “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”, meu filme favorito ao lado de “Tomates Verdes Fritos”).

Mas algo me chamou atenção nesse primeiro dia de mostra. Não havia ninguém com uma pipoca. Minha companheira de filme, Natasha (minha ex-estagiária e amiga, pois ela sempre me apresenta aos outros como ex-editora e amiga, logo, a recíproca é verdadeira) disse que as pessoas que frequentam esses eventos não estão muito interessadas na pipoca. Ok… pseudo intelectuais não comem pipoca. E batata frita, rola?

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Voltando, Gondry é o cara. Certa vez assisti a um vídeo do making of de um clipe do Chemical Brothers, dirigido por ele, e fiquei impressionada com a criatividade dele para transpor o que tinha imaginado para o mundo real. Das duas uma: ou ele é um gênio ou tem muita droga no lance. E pela cara dele, eu voto na primeira alternativa.

Bom, para melhorar, tem ninguém menos que Jack Black no filme. E eu sou suspeita para falar de Jack Black. Mas o que mais impressiona no filme é realmente a criatividade de Gondry. Não dá para explicar, tem que ver. Eu e Natasha ríamos e nos perguntávamos: como ele pensou nisso?!

Você vai ter essa dúvida ao ver a roupa que o personagem de Jack usa para sabotar o transformador; ou na hora em que ele usa mãos negras e brancas para simular as teclas do piano… ou no remake amador dos Caça-Fantasmas. Simplesmente surreal.

O segundo, aproveitando uma tarde de folga, foi “Patti Smith – Sonho de Vida”, de Steven Sebring. Engraçado que comparei muito a figura de Patti com a de Bob Dylan, talvez influenciada pelos dois filmes que vi sobre ele, “I’m Not There” e “Don’t Look Back”. Ao contrário dele, que não quer dizer o que pensa, não vê sentindo nisso, não quer servir de ídolo ou coisa parecida, Patti tem uma postura de se mostrar, falar, se abrir, se revelar.

patty-ok

Isso não faz dela alguém pretensioso, pelo contrário. Trata-se de uma pessoa em ebulição, inquieta e que de alguma forma precisa dividir isso. E ela é adorável.

Ao longo de 11 anos ela filmou sua vida para resultar nessa espécie de crônica de uma roqueira predestinada. O discurso dela contra George W. Bush, a quem ela acusa de sujar a imagem dos EUA, é uma lição de coragem. A primeira frase do filme diz muito sobre ela: “A vida é uma aventura que nós planejamos, limitada pelo destino e cheia de incidentes tristes e felizes”.

Ou seja, para uma garota que nasceu em plena 2ª Guerra Mudial – como ela conta no início do filme, narrado em primeira pessoa, enquanto seus irmãos nasceram um atrás de uma casa de baile e outro atrás de um pomar…percebe a diferença? – o viver seria superar as limitações e os incidentes infelizes. E motivos não faltam numa vida marcada por amizades, perdas, polaróides – seu hobbie é fotografar – e rock’n'roll.

titas-ok

“Titãs – A Vida Até Parece um Festa” também entrou na roda. com direito à companhia do diretor do filme, Branco Mello no espaço Unibanco. Olha, cantei e bati o pé durante todo o filme. Nessa época de bandas sem bandeira ou postura e de um rock que ecoa no vazio, a gente se esquece das boas bandas de rock que o Brasil tem. E depois de ver o filme, que acima de tudo fala de amizade e da paixão por música, duvido que você não saia do cinema querendo montar uma banda de rock…

Pirate, corsair, sea-robber, buccaneer…

Posted by: andreia on: November 19, 2008

A Somália descobriu um novo modo de sobreviver: piratas.

piratas

Piratas para mim eram coisa de livros de história, de contos, de filmes da Disney ou algo assim. Agora, eles fazem parte da nova ordem mundial, são regra para uma região que quer sobreviver, e já que não tem muitas alternativas, resolveu apostar nos ladrões de navios. Às vezes, independente de compensar, o crime é uma necessidade.

Fiquei imaginando: será que esses piratas usam máscaras, tem perna mecânica, máscara ou a beleza de Jack Sparrow? Talvez não. Ou melhor, definitivamente não. Depois de ver as fotos dos tais piratas, pude concluir que eles não tem nada de fantástico ou mágico.

Bons tempos os do Capitão Gancho, um pirata de classe. Por outro lado, convenhamos: os piratas somális são muito mais ambiciosos que capitão Gancho. Nada mal sequestrar um navio com o equivalente a 100 milhões de dólares em petróleo.

Mal posso esperar pelos próximos capítulos… Se alguém vir Robin Hood, diga que estou esperando ele por aqui…

Piratas, grampos telefônicos, crise, pessoas sendo jogadas da janela, um negro eleito presidente dos EUA… é impressão ou parece que deu a louca no mundo?

Reflexão pré-feriado, inspirada na música de Lúcio Cardim: “não sei se caso ou compro um frango”

????  -  Aguardo sugestões.