Entre fitas K7, vinis e purpurina
Fitas K7, capas de discos, gravadores AIKO, tecladinhos Cássio [aqueles com os quais todos nós arriscamos as primeiras composições], vitrolas, capa do disco do Black Junior [o primeiro de rap do país] e cabines para relembrar os sons que embalavam as pistas de danças nos anos 70, 80, 90 e 2000. Tudo isso num castelinho retrô, em um cantinho da avenida Brigadeiro Luiz Antônio. A exposição, patrocinada pela Smirnoff, é um baú de memórias e foi, pelo menos para mim, uma gloriosa e saudosa volta ao passado.
Quantas tardes perdidas gravando fitas e fitas para amigos ou para ouvir no walkman da Sony, quantas horas passadas ao lado do toca-discos, deslizando a agulha nos vinis ou brincando com sons e de ser DJ[depois a gente não sabia porque as agulhas viviam dando problema] ou ouvindo as rádios FMs de Ribeirão, que pelos menos naquela época, eram uma verdadeira salada musical.
Musicalmente falando, dá pra dizer que fui [e ainda sou] do tipo “heavy user”. Seja da disco music dos anos 70, do new wave ou do pós-punk dos 80, das batidas eletrônicas dos anos 90 [sem contar o grunge, o hard rock...] ou a cena indie dos anos 00, que talvez agora esteja em seu limbo existencial, tentando desvendar o que vamos fazer com tanta banda, tanta gente fazendo tanta coisa ao mesmo tempo – e muitas vezes, do mesmo jeito.
Reflexões a parte, a exposição nos leva de volta aos tempos em que tudo o que a gente mais queria – momento pelo qual esperávamos a semana inteira – era cair na pista de dança. E uma vez lá, valia misturar tudo. Podia rolar Bee Gees, Tim Maia, tocar Dancing Days, Lulu Santos, Titãs, New Order, Balão Mágico. Qualquer barulho era motivo para rolar na pista.
Depois de um bate papo relembrando momentos musicais com amigos [desde o primeiro microsystem, o primeiro cd] fica uma nostalgia de que, um dia, tudo foi mais divertido, original, menos sério e pesado. Sem contar os espantos com as roupas glamourosas usadas pelos DJs e rockstars. Ombreiras, casacos com purpurina, cascos estampados, roupas coloridas – há momentos em que você acha que está vendo aquela banda…. tal de Restart, até que se dá conta de que eram imagens dos anos 80, ou seja… – saltos altos, topetes e você se pergunta: “gente, e não é que usaram isso mesmo?”.
Além de revirar o baú de gente que marcou seu lugar na cena eletrônica de Sampa, a exposição é um revirar de emoções e lembranças pra quem se jogou ao som de Underworld, Prodigy, Chemical Brothers, e varou noites em lugares como Madame Satã, Rose Bom Bom, Aeroanta, Hell’s Club [tem até carteirinha de sócio do clube] ou ouvia, de algum lugar, o som que os DJs tocavam nas pick-ups dessas casas.
No mínimo, você vai sair de lá com um sorrisão do tipo: cara, eu já me diverti pacas!



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