E no fim das contas, o videoclipe não morreu

O que o rock, a fita cassete, o vinil e mais recentemente (bem, acrescente uns anos a isso) o videoclipe, têm em comum? Bom, todos foram declarados mortos, assim como Elvis Presley, por mais que você caro leitor, relute em aceitar essa ideia.

Mas quem não morreu na verdade foi o rock, a fita cassete, o vinil e muito menos o videoclipe. Assim como o cinema não matou  TV, o YouTube, como muitos pensavam, não jogou o videoclipe no limbo. Ao contrário, abriu porta e espaço para aqueles que mais soubessem ousar, criar e inovar. Isso ficou claro com o mais recente clipe lançado pelos canadenses do Arcade Fire, o da música The wilderness downtown.

O clipe é um filme interativo dirigido por Chris Milk, que utiliza a tecnologia de mapas do Google, ou seja, você se cadastra, digita seu endereço e o videoclipe simplesmente acontece.

A brincadeira – mais uma na modalidade de videoclipes colaborativos – mostra que apesar de não haver mais aqueles orçamentos milionários para a produção de clipes e da perda de espaço na TV, o velho videoclipe ainda continua dando o que falar, sendo um belo cartão de visitas para as bandas e diretores com grandes sacadas.

O fenômeno Lady Gaga está aí para provar isso. Provocando um furor muito mais estético do que musical, a cantora conseguiu a proeza de, em tempos onde muito poucos ouvem e veem música, alcançar a marca de 1 bilhão de vizualizações dos vídeos Poker face, Bad romance e Just dance.

Outro exemplo pode ser a banda OK GO!. Com uma câmera, algumas esteiras e YouTube, a banda foi uma das primeiras a exnergar que não era preciso contar com uma verba de  milhões para ser sucesso. A banda faz uma coreografia sobre esteiras ergométricas (ao todo foram 17 tentativas) no clipe de Here it Goes Again. Sem muitas preocupações estéticas, o vídeo foi lançado no YouTube, atingiu 50 milhões de visitas e rendeu popularidade à banda.

Um dos conceitos que vem sendo cada vez mais usados para a produção de videclpies é o do crowdsourcing, que une conhecimenos e experiências coletivas para produzir um determinado conteúdo. É o jeito que os artistas e bandas encontraram de fazer dos fãs, produtores de conteúdo e colaboradores.

Vários artistas estão apostando na produção colabotariva, como Bjork e Antony Hegarty. Para o clipe da música The Dull Flame Of Desire, eles entraram num estúdio e filmaram alguns takes em fundo verde e depois enviaram as filmagens para diferentes diretores, que deram seus toques e interpretações pessoais. Os convidados foram Masahiro Mogari (Japão), Marçal Cuberta Junca (Espanha) e Christoph Jantos (Alemanha).

Outro projeto colaborativo é uma homenagem ao cantor Johnny Cash. Era só você se inscrever e enviar imagens para integrar o videoclipe de Ain’t no Grave. O projeto foi inspirado pelo lançamento do disco póstumo American VI. Ainda há um botãozinho de colabore no site do projeto, o www.thejohnnycashproject.com. Na web, basta uma ideia na cabeça e um computador plugado…

Faça seu vídeo de “The Wilderness Downtown”: http://www.thewildernessdowntown.com

Mais informações sobre o projeto: http://www.chromeexperiments.com/arcadefire

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