Posted by: andreia on: January 29, 2009
Volta e meia me pego tentando arrumar argumentos para sair em defesa do presidente Lula. É bem verdade que nunca fui uma petista roxa, digamos assim, mas cresci acompanhando as tentativas de Lula se eleger, e meu primeiro voto para presidente foi nele, assim como o segundo.
Ambos os votos foram conscientes. Da primeira vez, gravei a cerimônia de posse, coloquei uma bandeira do Brasil enorme na sacada de casa – coisa que matou o senso estético de mamãe, mas ela compreendeu – e arquivei inúmeros jornais, afinal, a vitória foi notícia nos quatro cantos do mundo.
Mas hoje, dois mandatos depois, frequentemente me vejo no meio de grupinhos que adoram esculhambar o presidente. O que me incomoda? Não me lembro de todo esse descontentamento quando nosso presidente era Fernando Henrique Cardoso.
Seja pelas palavras erradas que mr. Lula pronuncia ou pela sua “falta de classe”, já ouvi diversas críticas superficiais. Mas ao saber de uma declaração dada à revista Piauí deste mês, confesso que não gostei. Antes de ler a revista, ouvi comentários e li textos de terceiros comentando o absurdo que era um presidente dizer que não lê livros porque sofre de azia, seja lá o que ele quis dizer com isso.
Não sobrou um pra defender. Acho que tudo que um país como o Brasil não precisa é que seu presidente desestimule tal hábito. Ou pra ser mais clara, como diz o ditado, se não é pra ajudar, não atrapalhe.
Ao ler a matéria – assinada por Mário Sérgio Conti, autor do livro “Notícias do Planalto”- a frase soou menos “trágica” do que na boca de terceiros. Então, quero ver os mesmos jornalistas escreverem um texto, artigo, ou o que seja, sobre a declaração de FHC, que quando eleito presidente, disse que era para esquecermos tudo o que ele, como sociólogo, havia escrito.
Em quesito literatura, nossos presidentes vão muito mal. Enquanto um renega suas obras, o outro enche a boca para dizer que não lê porque tem azia.
Agora, poucas linhas depois dessa declaração, Lula volta a me lembrar do porquê dos meus votos. Ao ser questionado pelo repórter, por que não foi à festa de 40 anos da revista Veja quando foi a festas de aniversário de outras empresas, ele solta a seguinte resposta: “Por que me dou ao respeito”, e lá explica seus motivos.
Depois dessa, entre o que renega a própria obra e o que diz ter azia com as letras, eu reitero meu voto ao segundo. Não me leve a mal FHC, é que nem tudo está nos livros. Mas a partir de agora, meu lema é: contra azia e má digestão, por favor, um novo presidente.
Se ao menos a gente tivesse certeza de que não vai piorar…