Posted by: andreia on: November 21, 2008
Mais uma vez acompanhar a mostra internacional de cinema em São Paulo não foi tarefa fácil – sim, a mostra rolou em outubro e quase um mês depois, eis um post. Da enxurrada de filmes – centenas será? – consegui assistir a modestos 4 longas. Mas que filmes (o último foi o novo de Woody Allen, que merecerá um post especial no aniversário dele, em breve).
O primeiro foi “Rebobine por favor”, de um dos meus diretores preferidos, Michel Gondry (é o cara que dirigiu “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”, meu filme favorito ao lado de “Tomates Verdes Fritos”).
Mas algo me chamou atenção nesse primeiro dia de mostra. Não havia ninguém com uma pipoca. Minha companheira de filme, Natasha (minha ex-estagiária e amiga, pois ela sempre me apresenta aos outros como ex-editora e amiga, logo, a recíproca é verdadeira) disse que as pessoas que frequentam esses eventos não estão muito interessadas na pipoca. Ok… pseudo intelectuais não comem pipoca. E batata frita, rola?
Voltando, Gondry é o cara. Certa vez assisti a um vídeo do making of de um clipe do Chemical Brothers, dirigido por ele, e fiquei impressionada com a criatividade dele para transpor o que tinha imaginado para o mundo real. Das duas uma: ou ele é um gênio ou tem muita droga no lance. E pela cara dele, eu voto na primeira alternativa.
Bom, para melhorar, tem ninguém menos que Jack Black no filme. E eu sou suspeita para falar de Jack Black. Mas o que mais impressiona no filme é realmente a criatividade de Gondry. Não dá para explicar, tem que ver. Eu e Natasha ríamos e nos perguntávamos: como ele pensou nisso?!
Você vai ter essa dúvida ao ver a roupa que o personagem de Jack usa para sabotar o transformador; ou na hora em que ele usa mãos negras e brancas para simular as teclas do piano… ou no remake amador dos Caça-Fantasmas. Simplesmente surreal.
O segundo, aproveitando uma tarde de folga, foi “Patti Smith – Sonho de Vida”, de Steven Sebring. Engraçado que comparei muito a figura de Patti com a de Bob Dylan, talvez influenciada pelos dois filmes que vi sobre ele, “I’m Not There” e “Don’t Look Back”. Ao contrário dele, que não quer dizer o que pensa, não vê sentindo nisso, não quer servir de ídolo ou coisa parecida, Patti tem uma postura de se mostrar, falar, se abrir, se revelar.
Isso não faz dela alguém pretensioso, pelo contrário. Trata-se de uma pessoa em ebulição, inquieta e que de alguma forma precisa dividir isso. E ela é adorável.
Ao longo de 11 anos ela filmou sua vida para resultar nessa espécie de crônica de uma roqueira predestinada. O discurso dela contra George W. Bush, a quem ela acusa de sujar a imagem dos EUA, é uma lição de coragem. A primeira frase do filme diz muito sobre ela: “A vida é uma aventura que nós planejamos, limitada pelo destino e cheia de incidentes tristes e felizes”.
Ou seja, para uma garota que nasceu em plena 2ª Guerra Mudial – como ela conta no início do filme, narrado em primeira pessoa, enquanto seus irmãos nasceram um atrás de uma casa de baile e outro atrás de um pomar…percebe a diferença? – o viver seria superar as limitações e os incidentes infelizes. E motivos não faltam numa vida marcada por amizades, perdas, polaróides – seu hobbie é fotografar – e rock’n'roll.
“Titãs – A Vida Até Parece um Festa” também entrou na roda. com direito à companhia do diretor do filme, Branco Mello no espaço Unibanco. Olha, cantei e bati o pé durante todo o filme. Nessa época de bandas sem bandeira ou postura e de um rock que ecoa no vazio, a gente se esquece das boas bandas de rock que o Brasil tem. E depois de ver o filme, que acima de tudo fala de amizade e da paixão por música, duvido que você não saia do cinema querendo montar uma banda de rock…