Música+blefes+auto-promoção

Not into me… so what?

Posted by: andreia on: April 1, 2009

Por que é tão complicado para algumas pessoas entenderem que é normal alguém não se interessar por elas? E por que nós, mulheres, temos teorias insanas  sobre porque eles – ou elas…em alguns casos – nos dispensam?

Primeiro, não há problema em ser dispensando – ou levar um pé na bunda, um fora, ser carta fora do baralho, como você preferir. Só sei que fiquei um pouco orgulhosa de mim ao assistir “Ele não está tão a fim de você”. Digo, é claro que eu já esperei ligações, emails, mensagens no celular, mas às vezes, meninas… como nós exageramos.

E ainda bem que nunca cai na conversa de amigas sem criatividade – que aliás, essas eu graças a Deus não tenho – que dizem que se a pessoa não te liga, é porque está caidinha por você, se banca a difícil, é porque quer você, se não liga de volta, é porque tem medo e está esperando você tomar o primeiro passo. Ou nas desculpas de quem dispensa a gente… aquelas do tipo: você é demais para mim, eu não te mereço, o problema não é você sou eu, etc.

Meu Deus! Alguém realmente acredita nisso? Na verdade, o quarteto que estava sentado ao nosso lado – meu e da Sarah -, pelos comentários feitos durante o filme, certamente acredita. Ou acreditava né, pois foram obrigadas a ouvir um dos personagens do filme repetir diversas vezes: “Quando ele não liga, não manda email, não faz contato, não pega seu telefone, e diz frases feitas é porque ele não quer sair com você!!!!!”. E ponto.

(obs para o quarteto: meninas, não culpem um homem recém-casado por não resistir a scarlett johansson… é algo que não dá pra acontecer…)

Ainda segundo o filme, você tem 11 anos para descobrir se aquela pessoa é o amor da sua vida e resolverem juntos o que vão fazer dessa mesma vida. Fato é, se a pessoa te enrolar durante todo esse tempo e não decidir tomar o passo seguinte – o altar – dispense-o porque ele está brincando com você.

Mentiiiiiira….! Tem gente que apenas não está preparado para se casar ou dar passos mais sérios. E só. E a história dos sinais? A gente joga tanta coisas nas costas dos sinais que, se eles passam a mensagem errada a culpa é deles e não nossa, que entendemos tudo errado. Ah se os sinais falassem…

E depois de todas as DRs, inseguranças, crises de ciúme, medo de ficar sozinho, etc, duas coisas são indiscutíveis: uma, todo mundo quer passar a vida acordando com alguém fofo, especial para dividir planos, as contas, as crianças, a mesa…. Quem diz que não está mentindo. E a segunda? Bem, é que a maioria das pessoas encontra a tampa da sua panela onde menos espera.

Bem, eu acho que já encontrei a minha, há exatos dois anos… mas você sabe… surpresas sempre podem pintar por aí. Quem garante que vamos terminar junto? Antes isso me preocupava, hoje não mais.

Só sabemos com quem a gente vai terminar quando a minha história, a sua, a dela, a dele, a do fulano, estiver quase acabando. Daí é hora de começar outra: a nossa história.

Uma noite com Thom Yorke…. =0

Posted by: andreia on: March 25, 2009

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Sabe aquela sensação de que você presenciou algo único, histórico? Pois essa foi a sensação antes, durante e depois do show do Radiohead, no domingo, em São Paulo. Na entrada, uma verdaderia via crucis rumo a tal Chácara do Jóquei, dava para ver na cara de cada um a ansiedade e a tensão de não saber o que esperar da noite.

Cenas engraçadas como um fã juntando dinheiro na porta de entrada e repetindo em voz alta: “Eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando, mas eu estou aqui ó… faltam só 49 reais … “. Entrei com o meu ingresso, comprado no primeiro dia de venda, sem saber se ele conseguiu os “reais” restantes.

Lá dentro, o show do Los Hermanos parecia interminável – nada contra, mas fui pra ver Radiohead, sorry. E às 22h, depois de presenciar uma apresentação na medida dos robôs alemães do Kraftwerk, Thom Yorke e sua trupe subiram ao palco para realizar o sonho de 30 mil pessoas.

Devo ao disco The Bends, se não me engano de 1997, a minha vontade de montar uma banda e viver disso. Pois é. Tudo isso começou lá. Em Sampa, desse disco, só teve espaço para Fake Plastic Trees, mas tudo bem.

Ao vivo, o disco In Rainbows soou mais perfeito do que já parecia. E como eles são bons em arranjos. A sensação é de que todos foram atingidos por um meteoro… meio torto de um olho, mas com uma mira capaz de acertar a todos, em cheio, no coração. O meu acertou. Em cheio.E pelos comentários do dia seguintes em msn, orkuts e ‘meios’ afins, acho que foi assim com todo mundo.

Incrível.

E as preferidas….

Why so far??????????

Posted by: andreia on: February 28, 2009

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Olha, eu bem queria trabalhar na BBC em Londres e ouvir do topo do prédio, em plena sexta-feira, o show do U2 – a melhor banda do muuuuuuuuundo – assim, como se fosse a coisa mais simples.  Um dia, quem sabe!

(Trabalhar na BBC e ver o show desses garotos de mais perto…)

About us…

Posted by: andreia on: February 27, 2009

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Eu geralmente fico triste quando chega o carnaval. Mas é uma tristeza simples, modesta, nada que beire cortar os pulsos ou coisa do tipo. O que rola é apenas uma fadiga social – e me cansa só de ver aquela folia em Recife, Salvador, praias lotadas…. afe! – e uma preguiça mental.

A ideia era ter ido viajar, me esconder numa Ilha, mas eis que não pude fazer isso. O jeito foi passar o carnaval em Ribeirão Preto. E não é que as coisas simplesmente acabaram sendo melhores – bem melhores – do que o esperado?

Sabe, eu ando com uma ideia fixa na cabeça: às vezes, não ter o que se quer é um golpe de sorte. Tudo bem que na hora que as coisas acontecem – ou melhor, não acontecem – a última coisa que passa pela nossa cabeça é que é culpa da sorte.

Mas enfim, nada mudou. Nem vai mudar. De uma forma ou de outra, nossos caminhos sempre acabam se cruzando… sem que a gente precise se esforçar.

E essa é outra teoria minha. Quando as coisas requerem muito esforço, eu digo emocionalmente falando, eu acho que elas não dão certo. Sim porque, se requer muito esforço, é porque não é pra ser. E com a gente sempre foi tão fácil, simples… e outras vezes, inesperado. Adoro encontros casuais… e depois conversar ao telefone. Notou o nosso nervosismo? Sempre foi assim.  A gente gagueja que nem criança.

Apesar do meu desapego ao carnaval, posso dizer, pegando carona no Lenine, que “o mundo caiu no samba, na hora que eu te vi”. E eu me refiro a todas as vezes…

Mas é como aquele episódio de Grey’s Anatomy, quando o Derek avisa  Meredith de que ele vai esperar, mas pode ser que no meio do caminho apareça outro alguém… E aí? Bom, nós já falamos sobre isso…

Chega de posts sentimentais! Hora de voltar a falar de coisas mais legais.

ps: E domingo tem São Paulo e Santos…

Still missing you…

Posted by: andreia on: February 12, 2009

10016337485Eu não gosto de meses em que o dia 9 cai  numa segunda-feira. Por que? É sinal de que o mês terá a mesma trajetória de abril de 2007…

Foi tudo tão rápido. Um telefonema no dia 9, avisando que eu precisava ligar numa editora e falar com um cara sobre o nosso livro e que você estava no hospital, pensando estar com dengue devido a uma febre que já durava dias e, que agora, somava-se a dores no corpo.

Naquele dia, tivemos, sem saber, a nossa última conversa. Semanas anteriores tínhamos ido ao hospital. Sinais talvez… . Não esqueço da voz nervosa da sua irmã ao me dar a tal notícia.

Parodiando Maysa, meu mundo caiu. Nessa hora eu soube que o final não seria dos melhores. Não por pessimismo, era algo que eu sentia, sabe? Mas como eu queria que tivesse sido diferente…

Uso seu anel – roubado na cara de pau do seu quarto no dia 24, quando você decidiu ir de vez … – todos os dias.  Foi o jeito que encontrei de te levar para todos os lados.

Saudades. Ainda não encontrei ninguém cuja risada supere a sua. Não tem jeito, era a melhor risada do mundo. Ouço ela às vezes na minha cabeça. Rio junto. E quando vejo borboletas acho que é você, afinal, você adorava borboletas. Aliás, faz tempo que não vejo uma.

Bom, chega de lembrar dessas coisas né?! Queria apenas dizer que você adoraria ter a minha irmã como bicho na faculdade. Pois é, adivinha quem está vindo cursar Letras na USP? Ela teve umas dúvidas aí, pensou em virar bicho grilo e fazer Ciências Sociais na Unesp (ela também passou) mas decidiu pelo mundo das letras.

Ah, quer saber da última? Roubei um cone….. ou melhor, a Luanda roubou pra mim…. não levo jeito para furtos… rs.

Até…

A vingança de Santa Bárbara

Posted by: andreia on: February 10, 2009

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E quando Mona Lisa achou que já não seria mais motivo de surpresa e poderia, então, descansar em paz, eis que aparece o senhor Edmar Moreira, ou melhor, o castelo de R$ 20 milhões escondido por ele, literalmente, no meio do nada (com todo o respeito aos moradores do distrito Castro Alves, perto do município de São João do Nepomuceno, lugar onde a propriedade foi construída).

Mona  Lisa, que estava calma e despreocupada no momento, voltou a ter a vida agitada de quem é notícia no jornal, na TV, nas revistas e na web. Não pode mais sair na rua ou exibir seu sorriso amarelo. Todos querem saber sobre a neverland brasileira que leva o nome de “Mona Lisa”.

A útima vez que foi notícia, segundo a minha já falha memória, foi quando alguns estudiosos descobriram uma possível identidade da modelo mais famosa de Da Vinci. Ela seria Lisa del Giocondo, que poucos dias antes de posar para o pintor, tinha dado à luz.

Fato é que Mona Lisa ainda não visitou a Nerverland brasileira, que já recebeu visitantes ilustres, desde o ex-presidente Itamar Franco ao atual presidiário-celebridade Salvatore Cacciola. Quem mora na cidadezinha jura que o castelo já teve dias bem movimentados, funcionando até como cassino, embora Edmar diga que construiu seu paraíso encantado para incrementar o turismo na região. Porque, claro, se você quer sair de férias e conhecer um castelo, é justamente para São João do Nepomuceno que você vai pensar em ir.

E a mentira vai além. Primeiro, na propaganda do castelo, a obra arquitetônica é classificada como sendo “inspirada nos castelos europeus”. Mentiiiiiiira. Você já olhou para aquilo? Em segundo lugar, para não pagar o IPTU, o castelo está registrado como imóvel rural, e por isso, na cidade administrada pela irmã de Edmar – que aliás, diz estar de relações cortadas com o irmão – está isento do pagamento.  Aquilo, imóvel rural? Ok, a gente finge que engole.

Pelo menos, levou menos tempo para Moreira abandonar o cargo na Câmara do que eu imaginei. Ele tentou enganar, mas o drama não comoveu. Aliás, ele tentou mudar até o nome do distrito Castro Alves para Santa Bárbara, santa de sua devoção, que ficou profundamente magoada por não ter seu nome na propriedade. Mas o resto dos políticos não aprovaram a mudança.

E ele achou que Santa Bárbara ia deixar barato. Anos de devoção acobertando falcatruas e desfalques para,  na hora de ser valorizada, acabar trocada por Mona Lisa? Foi o fim de Edmar… Será que esqueceram de avisá-lo que com santo não se brinca.

ps: dúvida… será que nos finais de semana em que Edmar levava a sua esposa para um fim de semana no castelo ele acordava de manhã, abria a janela da suíte principal e desabafava: ” pelos poderes de Monalisa, eu sou Edmar Moreira!!”? Por essa eu até pagaria para ver…

Contra azia e má digestão… um novo presidente

Posted by: andreia on: January 29, 2009

Volta e meia me pego tentando arrumar argumentos para sair em defesa do presidente Lula. É bem verdade que nunca fui uma petista roxa, digamos assim, mas cresci acompanhando as tentativas de Lula se eleger, e meu primeiro voto para presidente foi nele, assim como o segundo.

Ambos os votos foram conscientes. Da primeira vez, gravei a cerimônia de posse, coloquei uma bandeira do Brasil enorme na sacada de casa – coisa que matou o senso estético de mamãe, mas ela compreendeu – e arquivei inúmeros jornais, afinal, a vitória foi notícia nos quatro cantos do mundo.

Mas hoje, dois mandatos depois, frequentemente me vejo no meio de grupinhos que adoram esculhambar o presidente. O que me incomoda? Não me lembro de todo esse descontentamento quando nosso presidente era Fernando Henrique Cardoso.

Seja pelas palavras erradas que mr. Lula pronuncia ou pela sua “falta de classe”, já ouvi diversas críticas superficiais. Mas ao saber de uma declaração dada à revista Piauí deste mês, confesso que não gostei. Antes de ler a revista, ouvi comentários e li textos de terceiros comentando o absurdo que era um presidente dizer que não lê livros porque sofre de azia, seja lá o que ele quis dizer com isso.

Não sobrou um pra defender. Acho que tudo que um país como o Brasil não precisa é que seu presidente desestimule tal hábito. Ou pra ser mais clara, como diz o ditado, se não é pra ajudar, não atrapalhe.

Ao ler a matéria – assinada por Mário Sérgio Conti, autor do livro “Notícias do Planalto”- a frase soou menos “trágica” do que na boca de terceiros. Então, quero ver os mesmos jornalistas escreverem um texto, artigo, ou o que seja, sobre a declaração de FHC, que quando eleito presidente, disse que era para esquecermos tudo o que ele, como sociólogo, havia escrito.

Em quesito literatura, nossos presidentes vão muito mal. Enquanto um renega suas obras, o outro enche a boca para dizer que não lê porque tem azia.

Agora, poucas linhas depois dessa declaração, Lula volta a me lembrar do porquê dos meus votos. Ao ser questionado pelo repórter, por que não foi à festa de 40 anos da revista Veja quando foi a festas de aniversário de outras empresas, ele solta a seguinte resposta: “Por que me dou ao respeito”, e lá explica seus motivos.

Depois dessa, entre o que renega a própria obra e o que diz ter azia com as letras, eu reitero meu voto ao segundo. Não me leve a mal FHC, é que nem tudo está nos livros. Mas a partir de agora, meu lema é: contra azia e má digestão, por favor, um novo presidente.

Se ao menos a gente tivesse certeza  de que não vai piorar…

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Yes, he can…

Posted by: andreia on: January 20, 2009

obama

20 de janeiro de 2009. Algo além do normal aconteceu hoje. Ok. Você pode até dizer que a eleição de Obama não é nada demais e que ele não vai salvar o mundo. Sim, ele não vai salvar o mundo caso o mundo não queria ser salvo. Mas a partir do momento em que ele toma a frente de um país desacreditado ética e economicamente, torna-se líder não de uma nação, mas de várias nações e raças, é preciso torcer, cruzar os dedos e acreditar que daqui para frente, as coisas vão melhorar.

Obama lembra Roosevelt, que assumiu a presidência dos EUA em meio à grande crise de 1929 e recuperou o país com o New Deal. Era ele quem também dizia algo interessante sobre o governo: “o governo não faz parte da solução, o governo é o problema”. Obama também lembra Kennedy pela desenvoltura, o jeito jovem e descontraído, e talvez para muitos, represente a chance de viver o que um atirador impediu o país de vivenciar com um governante que pedia aos americanos para não pensar no que a América podia fazer por eles, mas no que eles poderiam fazer pela América.

Num discurso direto, sem drama e clichês – a não ser o agradecimento pelos serviços prestados por Bush aos EUA, mas na verdade eu realmente acredito que Obama queria ter dito ‘des’serviço – Obama mostrou que, pelo menos nas palavras, vai agir diferente de Bush. “Nós vamos sair do Iraque responsavelmente e entregá-lo a alguém de seu povo”. Sobre os muçulmanos, disse que eles seriam lembrados pelo que construíssem e não pelo que destruíssem. Ambas as frases ditas na cara de George W. Bush. Good for his first day, nãio?

Somando o fato de que o novo presidente chamou um pastor gay para fazer a oração invocatória, Obama mostra que o tom de seu governo será o da conciliação, da tolerância entre os diferentes, que podem sim somar uns aos outros. A gravata vermelha, cor tradicional dos republicanos, mostra que até os adversários tem vez com esse democrata.

Claro que, assim que ele pisar na Casa Branca, a realidade e as arrumações da política vão bater na cara de Barack. Mas acredito que todos estão vacinados e sabem que crises como a que os EUA e o mundo enfrentam agora, não se resolvem assim, num passe de mágica.  O importante é ver que uma nação ainda acredita na figura de um líder, que a esperança na política e nas pessoas ainda não morreu. Hoje em dia, provar que isto ainda existe já é motivo de vitória.

Quanto a Bush, de volta ao Texas, ele agora terá todo o tempo do mundo para falar de cachorros com a esposa Laura Bush (quem se lembra de uma entrevista da 1ª dama, no 1º mandato ainda, em que questionada sobre o que faria na sua posição, ela disse: vou falar com george só sobre nossos cachorros, não sobre política). Dizem que por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher… Deviamos ter prestado mais atenção em Laura.

Till when?

Posted by: andreia on: January 12, 2009

“Você não vai acreditar. Sonhei que estava na Faixa de Gaza”. Me lembro como se fosse hoje: 1991, todos reunidos na sala de casa, na pacata rua Antônio Martinez, nosso segundo endereço em Ribeirão Preto. Na TV, começava para todo o mundo a Guerra do Golfo. Lembro de ver umas imagens em verde, muito barulho, explosão e o William Bonner mostrando, em uma das poucas vezes, que sabe fazer mais do que uma expressão.

Agora é a vez da minha irmã, de 17 anos, ver a guerra e a intolerância explícitas na TV, na internet, no rádio, nas revistas… ele está em todo o lugar. E eu que achei que com o tempo os homens tornariam-se mais civilizados. Vejo reuniões na ONU, tanta gente reunida, sendo que há sempre um país a dizer ‘não’, o que compromete qualquer tentativa de paz.  Ao ouvir a primeira frase deste texto, dita por ela, ri, mas depois a ficha caiu. Não sei se pelo fato de que imediatamente imaginei o que seria ter alguém conhecido por lá ou porque achei que ela veria um mundo menos violento. Ledo engano.

Pela idade, quase 10 anos, me lembro de achar a transmissão da guerra um absurdo, mas não me lembro se aquilo mexeu demais comigo. Fora da sala, no meu outro universo brincando com os amigos, na rua, nas várias aulas em que minha mãe me matriculava, essa realidade mostrada pela TV desaparecia. Só voltava a pensar nela na hora do Jornal Nacional – programa que com o tempo passei a não fazer questão de ver.

Mas o que acontece é que, desde o final do ano, a guerra entre Israel e o Hamas não deixa nem os mais desligados em paz. Pelo menos para mim, a sensação é de peso. Tomar um lado? Isso eu nem cogito, pois acho que a intolerância entre ambos chegou a um ponto que já não existe o lado certo nem o lado errado, o que há são motivos e dependendo do ponto de vista, a gente vai achar motivos para ficar contra ou a favor dos dois.

A Guerra do Golfo anunciou um novo momento na história da mídia, marcado pelo impacto das novas tecnologias de comunicação de massa – instalação de redes planetárias ligadas por satélite, técnicas de digitalização de imagens, sistemas informatizados de transmissão de dados. Era um verdadeiro espetáculo, comandado pela CNN, com seu repórter no campo de guerra (Peter Arnett, o Cara). Mas o que realmente esperava-se da gente, que assistia aquilo como se fosse uma novela das 8?

Agora, o novo capítulo desta guerra sem fim está tirando o sono da minha irmã. Então, vamos lá Sarkozy, Lula, Obama, Egito use o seu crédito com Israel e alguém, por favor, mande o Hamas para um retiro espiritual para colaborar com a  nossa pseudo tranquilidade – morando em SP não dá para ser 100% tranquilo, independente do trema.

O que me consola é que o mais perto que minha irmã chegou do terror de Gaza foi encarar as duas etapas da Fuvest, que convenhamos, é uma forma branca de terrorismo.

Infeliz de nós, paroxítonas com ditongos abertos

Posted by: andreia on: January 1, 2009

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1º de janeiro de 2009. A partir de hoje, a língua portuguesa vai ficar mais complexa do que já é, para alguns. A tal reforma ortográfica que vai unificar o português passa a valer, provocando mudanças em tudo aquilo que aprendemos até hoje.

Por exemplo, você, professora ou mãe, que perdeu tempo explicando para o seu filho porque pára e para são diferentes, verá a sua explicação desmoralizada com o fim do acento indicando o verbo parar. Para ou para, agora dá na mesma. 

Por exemplo, quando disserem: “Trânsito para São Paulo”. Pense. Alguém terá que salvar a ambiguidade perguntando: “morfologicamente falando, o que você quer dizer?”. Prepare-se para fazer essa pergunta muitas vezes.

Imagine que nossa tranqüilidade não será mais a mesma sem o ‘trema’. Vocês, anti-sociais, serão antissociais… muita letra misturada para tanta antisociabilidade.

Mas entre as alterações - além do desuso do trema, item que nunca fez a mínima diferença para a minha pessoa, a inclusão das letras Z, W, e Y no alfabeto e o fim do hífen em alguns casos  - está uma que interfere na minha vida: a primeira nova regra da acentuação da língua portuguesa tira o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas. Ou seja, meu nome perderá o acento.

Acho isso um ultraje. Primeiro que no meu caso, passei a vida toda alertando as pessoas de que meu nome se escreve com ’i’ e tem acento. Agora, passarei o resto da minha vida explicando porque ele não tem mais acento. E claro, a eterna saga do Andréia com ou sem ‘i’ continuará.

Fato é que essa mudança é tão desnecessária quanto o Ministério da Pesca. Aliás, por falar em ministério, o da Infra-Estrutura terá que mudar a sua plaquinha já que pelas novas normas, esse hífen não existirá. Mas no caso do Brasil, essas mudança, prevista para estar completa até 2012, você sabe, pode nunca sair do papel com o nosso jeitinho.

Agora, quero ver as marcas de sopas de letrinhas se atualizarem e incluírem o W, Y e K no meio das outras 23 letras. As crianças vão achar que foi defeito da fábrica, mas não não, é apenas a reforma ortográfica.

Europeia, ideia, heroico, apoio, boia, asteroide, Coreia, estreia, joia, plateia, paranoia, jiboia, assembleia… andreia… todas essas palavras perderão o seu acento. No caso de papéis, o acento continua já que a sílaba mais forte é a última.

Fiquei sabendo que no caso de nomes e sobrenomes com Müller, o trema será mantido.. Claro, não é um nome brasileiro. Ei, mas e quanto a mim!? Infeliz de nós, paroxítonas com ditongos abertos.