Posted by: andreia on: July 22, 2009
No fim – ou início, dependendo do seu lado de partida – da linha azul do metrô esconde-se um templo, um mundo ou seria de repente um planeta? Poucos pertencem a ele. Feito de túneis, passagens secretas, obras de arte e muito, mais muito terno e gravata, seus habitantes têm sempre um ar de tensão, uma expressão de que, talvez, o nó esteja apertado demais.
Lá, em plena quarta-feira, no topo da pirâmide, pessoas consideradas importantes nesse planeta se reúnem para decidir o futuro de um projeto. A isso eles estão acostumados. Estão sempre decidindo o futuro das pessoas, escolhendo o que é melhor para elas. Dizem ser especialistas nisso.
Enquanto algumas dessas “pessoas importantes” não chegam, o papo rola solto. “Mas vocês viram o Nadal?”; “Alguma aposta para o US Open?”; “Pagaria o que fosse para andar na Ferrari do Schummacher”. Nada parecido com aquela conversa que a gente sempre ouve no metrô, no ônibus ou na rua mesmo: ” Mas o Coringão hein!”. Ali, ser corinthiano deve ser tipo um crime contra a moral e os bons costumes.
E o papo desenrola solto. Agora, é importante cada um relatar sua viagens para fora do Brasil. Neste planeta ninguém pode ficar por baixo. “Nesse frio, não me arrependo de ter trazido um edredon de pena de ganso de Miami. Na hora achei que era exagero, mas hoje”… diz uma pessoa importante.
As outras respondem, listam o que trouxeram… Será que eu comento da manta comprada na promoção das Pernambucanas? Muito boa ela viu, esquenta que é uma beleza… E este não é o objetivo?
O papo rola até que a reunião começa. Lá fora, ou melhor, lá embaixo, vejo operários levantando um prédio, camêlos num bate bapo, pessoas passando, o mundo acontecendo. As pessoas riem. Mesmo cansadas. Risos sinceros, sem disputas, sem nós de gravatas e onde não é feio ser popular.
Pescoços livres, mentes livres. Parem a nave que eu quero descer.
“Oi”. Um tímido e baixo ‘oi’ foi tudo o que Chan Marshall, ou melhor, Cat Power, disse aos paulistanos no seu terceiro show em São Paulo. Em pouco mais de uma hora e meia de show, ela dispensou eventuais conversas com a plateia para promover uma overdose de repertório.
Acompanhada sua banda, o The Dirty Delta Blues, Cat Power promoveu uma verdadeira catarse. Clima instrospectivo, à luz de velas, com a voz rouca e arrastada de Cat acompanhada do som distorcido da banda. Psicodelia pura, sem excessos, unindo voz e melodia.
Intensa, a cantora se entrega em cada música, indo de um lado a outro do palco naqueles passos típicos de um frontman de rock. No repertório, abusou dos covers deixando algumas de suas melhores músicas de fora do set list – como “He War”, “Speak For Me”, “Good Woman”, “Free”, entre outras.
“Angelitos Negros”, cover da canção gravada por Roberta Flack, encerrou o show. Enquanto a banda terminava de tocá-la, Cat distribui flores para a plateia, posou para fotos, acenou, deu sorrisos, autógrafos, tudo ali, na beira do palco. Pura simpatia e prova de que o poder da gata continua em alta.
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ps: Insigh: Então vamos lá… O medo vem da possibilidade de perceber que o tempo todo era apenas o querer, o desejar, o precisar, o esperar… sentir, mas não o sentindo, entende? Quanto tempo leva para ver que passou o tempo todo achando que sentia? Será que no fim das contas é o medo que leva? Leva o que a gente acomoda no nosso espaço… leva e deixa vazio… Um vazio cheio de peso… que de leve só tem o desejo de levar esse aperto embora, para longe. Pode ser nada, mas já pensou que pode ser tudo? Certas coisas não mudam. Algumas sim, outras não. Como a gente sabe quais são as ‘algumas’ e quais são as ‘outras’? Quanto tempo para achar tudo isso uma bobagem, mero produto de uma noite mal dormida?
Posted by: andreia on: July 18, 2009

O rock está repleto de mulheres brilhantes que reúnem adjetivos como simplicidade, personalidade (principalmente no palco) e comprometimento com a música. Não estão ali por estar… uma corrente que, para citar alguns nomes, começa com Patti Smith, passa por Christie Hynde, chega a Karen O e deságua em Cat Power, a última grande novidade da classe. Patty, que passou pelo Brasil no ano passado, tocando no mesmo festival, deve estar orgulhosa da escola. Charlyn Marie Marshall, ou Chan Marshall para os mais íntimos, é a mente que se esconde atrás do nome Cat Power, uma das principais atrações do Tim Festival deste ano.
Chan virou Cat Power no início dos anos 90, quando se mudou para Nova York e foi se apresentar num Pub da cidade. Em 1994, depois de outro show, conheceu ninguém menos que Steve Shelley (baterista do Sonic Youth) e Tim Foljahn (guitarrista do Two Dollar Guitar). Nessa vida, além de talento, nunca é demais ter gente influente por perto.
A dupla encorajou a jovem cantora a gravar seus dois primeiros álbuns Dear Sir (1995) e Myra Lee (1996), ambos gravados no mesmo dia. Em 1996, ela lançou seu 3º disco pelo selo Matador. What Would the Comunity Think? traz destaques como In This Hole, King Rides By, o hit Nude As The News e Bathysphere, do Smog.
Com três discos, bem recebidos, Cat pirou. Coisa de artista. Todos têm seus momentos de crise de identidade. Cat achou que tinha sido usada em suas primeiras gravações e não estava gostando muito do rumo que sua música estava tomando.
Tirou um ano de folga e foi curtir a vida com o namorado. Nesse tempo, teve um pesadelo que a intimou a voltar à ativa e não “mais se esconder”. Recuperada, ela volta com Moon Pix, lançado em 1998. É desse álbum que saiu a faixa Cross Boné Style, que a tornou conhecida fora dos States. A partir daí, nada mais intimou essa garota nascida em Atlanta, na Geórgia, que hoje aos 35 anos, continua com um ar de “adolescente em crise, exagerado nos sentimentos e angústias, mas que realmente diz o que quer dizer”.
De 2000 até aqui vieram: *The Covers Record – onde ela mostra como se fazer um cover, reeditando clássicos como Satisfaction, dos Rolling Stones, I Found the Reason, do Velvet Underground e Paths of Victory, do Bob Dylan, só para citar os mais mais – e *You Are Free – no qual ela conta com parceiro do calibre de Adam Kasper, na produção, Dave Grohl, na bateria e no baixo de Speak For Me, Eddie Vedder nos vocais de apoio de Good Woman e Evolution. Nesse disco há uma canção – I Don’t Blame You – que muitos julgaram ser dedicada ao líder do Nirvana, Kurt Cobain, mas Cat sempre desmentiu.
Tudo isso foi descoberto quando ouvi The Greatest, o último disco de Cat. A garota voltou a ter problemas psicológicos, como ela mesmo delcarou ao New York Times, devido ao abuso de álcool e drogas desde a intensa turnê de 98. Parece que tais períodos a inspiram bastante.
No disco ela joga com o indie e com o soul. Como ela conseguiu unir tais estilos, só ouvindo pra tentar entender. Estão lá as velhas influências do blues, folk rock e do grunge, como a guitarra grudenta marcando a música. É isso que ela vem mostrar aos brasileiros, pela segunda vez (ela esteve no Brasil na turnê do disco de covers). Quem conseguiu ingresso, prepare-se e tente sobreviver ao poder da gata.
Este texto foi postado num antigo blog, em 2007. Na época, fui uma das pessoas que não conseguiu ingresso para ver Cat Power no Tim Festival. Mas hoje 18/07 estarei lá, pronta pra encarar o poder da gata.
Posted by: andreia on: April 1, 2009
Por que é tão complicado para algumas pessoas entenderem que é normal alguém não se interessar por elas? E por que nós, mulheres, temos teorias insanas sobre porque eles – ou elas…em alguns casos – nos dispensam?
Primeiro, não há problema em ser dispensando – ou levar um pé na bunda, um fora, ser carta fora do baralho, como você preferir. Só sei que fiquei um pouco orgulhosa de mim ao assistir “Ele não está tão a fim de você”. Digo, é claro que eu já esperei ligações, emails, mensagens no celular, mas às vezes, meninas… como nós exageramos.
E ainda bem que nunca cai na conversa de amigas sem criatividade – que aliás, essas eu graças a Deus não tenho – que dizem que se a pessoa não te liga, é porque está caidinha por você, se banca a difícil, é porque quer você, se não liga de volta, é porque tem medo e está esperando você tomar o primeiro passo. Ou nas desculpas de quem dispensa a gente… aquelas do tipo: você é demais para mim, eu não te mereço, o problema não é você sou eu, etc.
Meu Deus! Alguém realmente acredita nisso? Na verdade, o quarteto que estava sentado ao nosso lado – meu e da Sarah -, pelos comentários feitos durante o filme, certamente acredita. Ou acreditava né, pois foram obrigadas a ouvir um dos personagens do filme repetir diversas vezes: “Quando ele não liga, não manda email, não faz contato, não pega seu telefone, e diz frases feitas é porque ele não quer sair com você!!!!!”. E ponto.
(obs para o quarteto: meninas, não culpem um homem recém-casado por não resistir a scarlett johansson… é algo que não dá pra acontecer…)
Ainda segundo o filme, você tem 11 anos para descobrir se aquela pessoa é o amor da sua vida e resolverem juntos o que vão fazer dessa mesma vida. Fato é, se a pessoa te enrolar durante todo esse tempo e não decidir tomar o passo seguinte – o altar – dispense-o porque ele está brincando com você.
Mentiiiiiira….! Tem gente que apenas não está preparado para se casar ou dar passos mais sérios. E só. E a história dos sinais? A gente joga tanta coisas nas costas dos sinais que, se eles passam a mensagem errada a culpa é deles e não nossa, que entendemos tudo errado. Ah se os sinais falassem…
E depois de todas as DRs, inseguranças, crises de ciúme, medo de ficar sozinho, etc, duas coisas são indiscutíveis: uma, todo mundo quer passar a vida acordando com alguém fofo, especial para dividir planos, as contas, as crianças, a mesa…. Quem diz que não está mentindo. E a segunda? Bem, é que a maioria das pessoas encontra a tampa da sua panela onde menos espera.
Bem, eu acho que já encontrei a minha, há exatos dois anos… mas você sabe… surpresas sempre podem pintar por aí. Quem garante que vamos terminar junto? Antes isso me preocupava, hoje não mais.
Só sabemos com quem a gente vai terminar quando a minha história, a sua, a dela, a dele, a do fulano, estiver quase acabando. Daí é hora de começar outra: a nossa história.
Posted by: andreia on: March 25, 2009

Sabe aquela sensação de que você presenciou algo único, histórico? Pois essa foi a sensação antes, durante e depois do show do Radiohead, no domingo, em São Paulo. Na entrada, uma verdaderia via crucis rumo a tal Chácara do Jóquei, dava para ver na cara de cada um a ansiedade e a tensão de não saber o que esperar da noite.
Cenas engraçadas como um fã juntando dinheiro na porta de entrada e repetindo em voz alta: “Eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando, mas eu estou aqui ó… faltam só 49 reais … “. Entrei com o meu ingresso, comprado no primeiro dia de venda, sem saber se ele conseguiu os “reais” restantes.
Lá dentro, o show do Los Hermanos parecia interminável – nada contra, mas fui pra ver Radiohead, sorry. E às 22h, depois de presenciar uma apresentação na medida dos robôs alemães do Kraftwerk, Thom Yorke e sua trupe subiram ao palco para realizar o sonho de 30 mil pessoas.
Devo ao disco The Bends, se não me engano de 1997, a minha vontade de montar uma banda e viver disso. Pois é. Tudo isso começou lá. Em Sampa, desse disco, só teve espaço para Fake Plastic Trees, mas tudo bem.
Ao vivo, o disco In Rainbows soou mais perfeito do que já parecia. E como eles são bons em arranjos. A sensação é de que todos foram atingidos por um meteoro… meio torto de um olho, mas com uma mira capaz de acertar a todos, em cheio, no coração. O meu acertou. Em cheio.E pelos comentários do dia seguintes em msn, orkuts e ‘meios’ afins, acho que foi assim com todo mundo.
Incrível.
E as preferidas….
Posted by: andreia on: February 28, 2009

Olha, eu bem queria trabalhar na BBC em Londres e ouvir do topo do prédio, em plena sexta-feira, o show do U2 – a melhor banda do muuuuuuuuundo – assim, como se fosse a coisa mais simples. Um dia, quem sabe!
(Trabalhar na BBC e ver o show desses garotos de mais perto…)
Posted by: andreia on: February 27, 2009

Eu geralmente fico triste quando chega o carnaval. Mas é uma tristeza simples, modesta, nada que beire cortar os pulsos ou coisa do tipo. O que rola é apenas uma fadiga social – e me cansa só de ver aquela folia em Recife, Salvador, praias lotadas…. afe! – e uma preguiça mental.
A ideia era ter ido viajar, me esconder numa Ilha, mas eis que não pude fazer isso. O jeito foi passar o carnaval em Ribeirão Preto. E não é que as coisas simplesmente acabaram sendo melhores – bem melhores – do que o esperado?
Sabe, eu ando com uma ideia fixa na cabeça: às vezes, não ter o que se quer é um golpe de sorte. Tudo bem que na hora que as coisas acontecem – ou melhor, não acontecem – a última coisa que passa pela nossa cabeça é que é culpa da sorte.
Mas enfim, nada mudou. Nem vai mudar. De uma forma ou de outra, nossos caminhos sempre acabam se cruzando… sem que a gente precise se esforçar.
E essa é outra teoria minha. Quando as coisas requerem muito esforço, eu digo emocionalmente falando, eu acho que elas não dão certo. Sim porque, se requer muito esforço, é porque não é pra ser. E com a gente sempre foi tão fácil, simples… e outras vezes, inesperado. Adoro encontros casuais… e depois conversar ao telefone. Notou o nosso nervosismo? Sempre foi assim. A gente gagueja que nem criança.
Apesar do meu desapego ao carnaval, posso dizer, pegando carona no Lenine, que “o mundo caiu no samba, na hora que eu te vi”. E eu me refiro a todas as vezes…
Mas é como aquele episódio de Grey’s Anatomy, quando o Derek avisa Meredith de que ele vai esperar, mas pode ser que no meio do caminho apareça outro alguém… E aí? Bom, nós já falamos sobre isso…
Chega de posts sentimentais! Hora de voltar a falar de coisas mais legais.
ps: E domingo tem São Paulo e Santos…
Posted by: andreia on: February 10, 2009

E quando Mona Lisa achou que já não seria mais motivo de surpresa e poderia, então, descansar em paz, eis que aparece o senhor Edmar Moreira, ou melhor, o castelo de R$ 20 milhões escondido por ele, literalmente, no meio do nada (com todo o respeito aos moradores do distrito Castro Alves, perto do município de São João do Nepomuceno, lugar onde a propriedade foi construída).
Mona Lisa, que estava calma e despreocupada no momento, voltou a ter a vida agitada de quem é notícia no jornal, na TV, nas revistas e na web. Não pode mais sair na rua ou exibir seu sorriso amarelo. Todos querem saber sobre a neverland brasileira que leva o nome de “Mona Lisa”.
A útima vez que foi notícia, segundo a minha já falha memória, foi quando alguns estudiosos descobriram uma possível identidade da modelo mais famosa de Da Vinci. Ela seria Lisa del Giocondo, que poucos dias antes de posar para o pintor, tinha dado à luz.
Fato é que Mona Lisa ainda não visitou a Nerverland brasileira, que já recebeu visitantes ilustres, desde o ex-presidente Itamar Franco ao atual presidiário-celebridade Salvatore Cacciola. Quem mora na cidadezinha jura que o castelo já teve dias bem movimentados, funcionando até como cassino, embora Edmar diga que construiu seu paraíso encantado para incrementar o turismo na região. Porque, claro, se você quer sair de férias e conhecer um castelo, é justamente para São João do Nepomuceno que você vai pensar em ir.
E a mentira vai além. Primeiro, na propaganda do castelo, a obra arquitetônica é classificada como sendo “inspirada nos castelos europeus”. Mentiiiiiiira. Você já olhou para aquilo? Em segundo lugar, para não pagar o IPTU, o castelo está registrado como imóvel rural, e por isso, na cidade administrada pela irmã de Edmar – que aliás, diz estar de relações cortadas com o irmão – está isento do pagamento. Aquilo, imóvel rural? Ok, a gente finge que engole.
Pelo menos, levou menos tempo para Moreira abandonar o cargo na Câmara do que eu imaginei. Ele tentou enganar, mas o drama não comoveu. Aliás, ele tentou mudar até o nome do distrito Castro Alves para Santa Bárbara, santa de sua devoção, que ficou profundamente magoada por não ter seu nome na propriedade. Mas o resto dos políticos não aprovaram a mudança.
E ele achou que Santa Bárbara ia deixar barato. Anos de devoção acobertando falcatruas e desfalques para, na hora de ser valorizada, acabar trocada por Mona Lisa? Foi o fim de Edmar… Será que esqueceram de avisá-lo que com santo não se brinca.
ps: dúvida… será que nos finais de semana em que Edmar levava a sua esposa para um fim de semana no castelo ele acordava de manhã, abria a janela da suíte principal e desabafava: ” pelos poderes de Monalisa, eu sou Edmar Moreira!!”? Por essa eu até pagaria para ver…
Posted by: andreia on: January 29, 2009
Volta e meia me pego tentando arrumar argumentos para sair em defesa do presidente Lula. É bem verdade que nunca fui uma petista roxa, digamos assim, mas cresci acompanhando as tentativas de Lula se eleger, e meu primeiro voto para presidente foi nele, assim como o segundo.
Ambos os votos foram conscientes. Da primeira vez, gravei a cerimônia de posse, coloquei uma bandeira do Brasil enorme na sacada de casa – coisa que matou o senso estético de mamãe, mas ela compreendeu – e arquivei inúmeros jornais, afinal, a vitória foi notícia nos quatro cantos do mundo.
Mas hoje, dois mandatos depois, frequentemente me vejo no meio de grupinhos que adoram esculhambar o presidente. O que me incomoda? Não me lembro de todo esse descontentamento quando nosso presidente era Fernando Henrique Cardoso.
Seja pelas palavras erradas que mr. Lula pronuncia ou pela sua “falta de classe”, já ouvi diversas críticas superficiais. Mas ao saber de uma declaração dada à revista Piauí deste mês, confesso que não gostei. Antes de ler a revista, ouvi comentários e li textos de terceiros comentando o absurdo que era um presidente dizer que não lê livros porque sofre de azia, seja lá o que ele quis dizer com isso.
Não sobrou um pra defender. Acho que tudo que um país como o Brasil não precisa é que seu presidente desestimule tal hábito. Ou pra ser mais clara, como diz o ditado, se não é pra ajudar, não atrapalhe.
Ao ler a matéria – assinada por Mário Sérgio Conti, autor do livro “Notícias do Planalto”- a frase soou menos “trágica” do que na boca de terceiros. Então, quero ver os mesmos jornalistas escreverem um texto, artigo, ou o que seja, sobre a declaração de FHC, que quando eleito presidente, disse que era para esquecermos tudo o que ele, como sociólogo, havia escrito.
Em quesito literatura, nossos presidentes vão muito mal. Enquanto um renega suas obras, o outro enche a boca para dizer que não lê porque tem azia.
Agora, poucas linhas depois dessa declaração, Lula volta a me lembrar do porquê dos meus votos. Ao ser questionado pelo repórter, por que não foi à festa de 40 anos da revista Veja quando foi a festas de aniversário de outras empresas, ele solta a seguinte resposta: “Por que me dou ao respeito”, e lá explica seus motivos.
Depois dessa, entre o que renega a própria obra e o que diz ter azia com as letras, eu reitero meu voto ao segundo. Não me leve a mal FHC, é que nem tudo está nos livros. Mas a partir de agora, meu lema é: contra azia e má digestão, por favor, um novo presidente.
Se ao menos a gente tivesse certeza de que não vai piorar…